Cruzeiro do Sul, Acre, 20 de junho de 2026 13:42

Pressionado por investigação federal, Roxinho fica fora dos planos para a Expoacre 2026

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Informações obtidas pela reportagem junto a fontes do Palácio Rio Branco indicam que o diretor da Secretaria de Habitação do Acre (Sehab), Júlio César Moura de Farias, conhecido como “Roxinho”, está fora dos planos da governadora Mailza Assis para integrar o núcleo responsável pela organização da Expoacre 2026 e da ExpoJuruá.

Segundo interlocutores próximos à administração estadual, a orientação da governadora é reforçar critérios de austeridade, credibilidade e controle na condução dos dois maiores eventos agropecuários do Acre. A expectativa é de que novos nomes sejam anunciados nos próximos dias para coordenar áreas estratégicas das feiras, priorizando perfis considerados técnicos e sem questionamentos na esfera pública.

A movimentação ocorre após a divulgação do indiciamento de Roxinho pela Polícia Federal em investigação relacionada à Expoacre 2023. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Ministério Público Federal, que agora avaliará os próximos passos do caso. O indiciamento não representa condenação, mas elevou o desgaste político em torno do servidor.

Há forte preocupação dentro do governo com os reflexos do episódio sobre a imagem da atual gestão, especialmente em um momento em que Mailza Assis busca imprimir uma marca administrativa baseada na responsabilidade fiscal e na transparência (reveja abaixo com uma peça do processo e).

 Um empresário do setor de comunicação estaria financiando estratégias jurídicas para tentar reverter os efeitos do inquérito e buscar medidas capazes de fortalecer a defesa de Roxinho. As mesmas fontes relatam que há pressa na adoção dessas iniciativas diante da proximidade do calendário da Expoacre. A reportagem não conseguiu confirmar oficialmente essas informações junto aos citados.

Reservadamente, aliados do diretor afirmam que ele atribui parte da repercussão negativa do caso à atuação de veículos de comunicação e jornalistas. Não há, contudo, qualquer evidência pública que sustente as acusações mencionadas nos bastidores.

Além do inquérito da Polícia Federal, Roxinho volta a enfrentar questionamentos relacionados à sua permanência em funções de direção no governo. Em 2023, ele chegou a ser afastado do cargo após questionamentos sobre o cumprimento dos requisitos técnicos exigidos para a função. A exoneração assinada pelo então governador Gladson Cameli atendeu a uma recomendação do MPE, através do procurador de justiça Sammy Barbosa.

Posteriormente, Roxinho retornou à administração após apresentar documentação acadêmica que comprovavaria a qualificação exigida.

Agora, segundo fontes ligadas à apuração, a documentação apresentada também passou a ser alvo de verificações, diante de suspeitas que ainda estão sendo analisadas pelas autoridades competentes. Até o momento, não há conclusão oficial sobre eventual irregularidade.

A situação cria um constrangimento político para o governo estadual. Roxinho teve participação destacada na organização das edições anteriores da Expoacre e da ExpoJuruá, inclusive ocupando a função de coordenador-adjunto da feira em 2024.

Dentro do governo, a avaliação predominante é de que a permanência de um agente público investigado em posições estratégicas de eventos que movimentam centenas de milhões de reais pode gerar desgaste desnecessário para a gestão e abrir espaço para questionamentos da oposição.

Por isso, cresce a expectativa de que as próximas decisões administrativas adotadas pelo Palácio Rio Branco sejam interpretadas como um teste de coerência entre o discurso de moralização e a prática política. A exclusão de Roxinho da organização da Expoacre e da ExpoJuruá é vista por integrantes do governo como um movimento praticamente consolidado, restando apenas a formalização das mudanças.

Nos corredores do Executivo, a pergunta já não é mais se Roxinho participará da organização das feiras de 2026, mas quando sua saída definitiva do núcleo de confiança do governo será oficializada.