O município de Guajará, localizado no interior do Amazonas, enfrenta uma situação eleitoral atípica e preocupante: o número de eleitores registrados supera a quantidade de habitantes aptos a votar.
Com uma população de 13.815 pessoas, das quais 4.422 são menores de idade e, portanto, inaptas ao voto, o cadastro eleitoral local registra 12.512 eleitores – o que corresponde a mais de 90% da população total.
NÚMERO DE ELEITORES NO TRE:

Esse cenário é considerado incompatível com a realidade demográfica da cidade e levantou suspeitas de irregularidades no processo eleitoral.
NÚMERO DE HABITANTES SEGUNDO O IBGE:

Uma denúncia grave, que pode levar à cassação do atual prefeito, aponta que 1.604 eleitores teriam sido transferidos irregularmente de Cruzeiro do Sul, no Acre, para Guajará.
A ação teria sido realizada com o uso de declarações falsas de residência, emitidas com a participação de servidores públicos ligados ao grupo político do prefeito eleito, Adaildo Pinheiro.
A fraude foi facilitada pela nomeação de Rafael Alexandro, sobrinho do prefeito, para o cargo de chefe da Divisão de Tributos e Fiscalização de Terras Urbanas. Rafael é acusado de emitir documentos falsos que comprovavam residência em Guajará para pessoas que, na verdade, moravam em Cruzeiro do Sul.
Um dos casos citados na denúncia envolve uma mulher identificada apenas como ROSI, que consta como cadastrada no programa Bolsa Família em Cruzeiro do Sul, mas teve sua residência alterada para Guajará por meio de documentos fraudulentos. A denúncia afirma que os imóveis mencionados nos documentos sequer existiam, evidenciando a gravidade das irregularidades.
Diante das suspeitas, o Ministério Público Eleitoral (MPE) recomendou a realização de uma correição eleitoral para revisar o cadastro de eleitores e anular títulos fraudulentos. Caso as irregularidades sejam comprovadas, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) poderá cassar o mandato do prefeito e convocar novas eleições.
A situação em Guajará reacende o debate sobre a integridade dos processos eleitorais e a necessidade de fiscalização rigorosa para coibir práticas ilegais.
Enquanto a investigação segue em andamento, a população aguarda uma decisão que possa restabelecer a confiança no sistema democrático e garantir a legitimidade do poder público.
A denúncia, que envolve a transferência irregular de eleitores e a emissão de documentos falsos, pode ser o ponto crucial para a cassação do atual prefeito e a redefinição do cenário político local.