Alysson também reconheceu que, embora tenha autonomia administrativa, as escolhas precisam considerar a articulação com os grupos políticos que sustentam sua gestão

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene (PP), sinalizou que a reformulação do secretariado municipal poderá abrir espaço para partidos que não integravam originalmente a base política da prefeitura.
Em entrevista ao ContilNet, nesta quarta-feira (28), o gestor afirmou que pretende construir uma nova composição administrativa em diálogo com a governadora reeleita Mailza Assis (PP) e com legendas que participaram da aliança vitoriosa nas eleições de 2026.
Entre os partidos mencionados está o MDB, que passou a integrar a aliança de Mailza com a indicação de Jéssica Sales para vice-governadora. Alysson também destacou a relação com o PL, liderado no Acre pelo senador Márcio Bittar, e defendeu que as decisões sobre o secretariado considerem tanto a capacidade técnica dos futuros auxiliares quanto a representatividade política dos aliados.
Ao comentar o processo de escolha dos integrantes da gestão, o prefeito ressaltou sua trajetória partidária e afirmou que não pretende tomar decisões isoladas.
“O que eu vejo: sou um cara que tenho uma história partidária. Quando eu vim pra um projeto maior, escolhido pelo partido, para ser vice do Bocalom, isso tudo foi chancelado pelo partido. Ninguém é candidato de si mesmo. Foi assim em 2012, 2022, e agora, não foi diferente”, declarou.
Alysson também reconheceu que, embora tenha autonomia administrativa, as escolhas precisam considerar a articulação com os grupos políticos que sustentam sua gestão.
“O CPF é meu, a missão é minha, e tenho muitas responsabilidades. Minhas decisões vão refletir diretamente nas políticas públicas. Depende muito da minha articulação. Do lado da governadora, isso vai ser melhor para a relação que já temos. Quando a gente toma uma decisão, busca discutir em grupo, em alinhamento, em contexto de aliança”, afirmou.
MDB pode ganhar espaço na prefeitura
Uma das principais novidades reveladas pelo prefeito é a disposição de incluir o MDB nas discussões sobre a reorganização da administração municipal.
Alysson citou a presença da legenda na chapa de Mailza e a relação que mantém com representantes emedebistas na Câmara Municipal, como Neném Almeida e Fábio Araújo.
“Agora, na eleição, tem a nossa vice-governadora, que é a Jéssica, que é do MDB. Então, eu quero construir também com o MDB, diante das lideranças que o MDB tem, respeitando, assim como o MDB hoje tem na Câmara, que de uma certa forma faz parte já na base, né? O Neném Almeida, o próprio Fabão, que a gente tem conversado, já tem alinhado algumas coisas. Então, eu tenho essa visão, sabe?”, explicou.
Questionado diretamente se a discussão sobre o novo secretariado passará pela articulação com o MDB, o prefeito confirmou a possibilidade, mas ponderou que ainda não existe uma definição sobre os espaços que poderão ser oferecidos.
“Não só o MDB, né? Não só o MDB. Não tô falando que “ah, o secretário-alvo tem que ser do MDB”. Eu entendo que a discussão passa por isso. Eu considero ele [o MDB] como um aliado. Digamos assim, a governadora, diante dessa composição, com certeza vai construir com o MDB. Por quê? Não só com os dois deputados que tem hoje na Assembleia, tem a própria vice-governadora, não é isso?”, declarou.
Segundo Alysson, a participação do MDB na campanha de Mailza alterou a relação política da legenda com a prefeitura, criando condições para uma aproximação administrativa.
“Então, a tendência é que o MDB, como construiu com ela a eleição, também ela construa, de uma certa forma. Eu não sei em qual posição, em qual local. Nesse contexto, eu também entendo, porque ele passa a ser um aliado do nosso partido, em especial da nossa governadora, que eu tô aliado, que eu também posso fazer gesto, posso fazer gesto”, acrescentou.
O prefeito deixou claro que essa aproximação poderá resultar em diferentes tipos de participação na estrutura municipal.
“Aí não sei se é secretário, ou um espaço, ou, entendeu? Então eu deixo de ter o MDB como um adversário, eu passo a ter o MDB como um aliado. E aí eu pretendo construir. Agora, não vou dizer se é secretário, se é uma diretoria, se é uma função que ele vai exercer, entendeu? Mas eu passo a ter esse estudo e essa definição, com o MDB também como um parceiro ali, para me ajudar na gestão”, afirmou.
Alysson quer ampliar alianças após saída de Bocalom
A mudança de comando na prefeitura também aparece como um fator importante para a reorganização política pretendida pelo gestor.
Alysson indicou que partidos e lideranças que mantinham resistência à administração do ex-prefeito Tião Bocalom poderão encontrar um ambiente diferente sob sua liderança.
“Assim como o MDB, tem outros partidos, outras pessoas que estavam com a governadora, mas não estavam com a prefeitura, porque, talvez, na época do Bocalom tinham alguma resistência, mas comigo não, não tem, entendeu?”, declarou.
O prefeito afirmou que pretende aproveitar a relação com Mailza para construir uma base política mais ampla.
“E aí, nesse sentido, a gente constrói pra frente, que eu olho política olhando pra frente, pra construção, aí junto com a governadora, sim, né? Com a pessoa que a gente tem uma boa relação, que eu gosto, que admiro, que a gente tem um carinho, como foi agora no segundo turno, com essa aproximação, e graças a Deus foi possível ter o resultado positivo, esperado, com 272 mil votos. A crescente que ela teve, do ponto de vista percentual, maior foi Rio Branco”, destacou.
Prefeito defende equilíbrio entre técnicos e políticos
Ao ser questionado se os possíveis nomes para o secretariado serão discutidos com a governadora e os partidos aliados, Alysson respondeu afirmativamente.
Ele defendeu que a reorganização administrativa não comprometa a prestação dos serviços públicos, mas reconheceu a importância da composição política para garantir governabilidade.
“Sim, dos partidos que fazem parte, tem uma construção, para a gente ter o quê? Sem perder a eficiência do resultado, sem perder a eficiência do resultado, né? Porque também da entrega, do resultado, de tudo. E também você poder ter equilíbrio da parte política, porque a gente sabe que um governo não pode ser totalmente técnico e nem totalmente político”, afirmou.
Para o prefeito, a conciliação entre esses dois aspectos será fundamental para o funcionamento da gestão.
“Você tem um equilíbrio, né? Até para que as políticas públicas sejam desenvolvidas de forma coerente e efetiva para, em primeiro lugar, as pessoas que precisam, que mais necessitam dessas políticas públicas: na saúde, na educação, no meio ambiente, na infraestrutura”, acrescentou.
PL de Bittar também participa das articulações
Outro partido citado pelo prefeito foi o PL, que já mantém uma relação política com a administração municipal. Alysson destacou a atuação do senador Márcio Bittar e negou qualquer dificuldade de relacionamento com o parlamentar, que participou das articulações eleitorais de 2026.
“O PL já é aliado de primeira hora, né? E agora não foi diferente, o senador Márcio Bittar, que de uma certa forma a gente teve diálogos ao longo da caminhada. O senador sabe, reconhece, talvez eu, na minha condição, não podia estar ali diretamente, mas, de uma certa forma, a prefeitura esteve aliada com ele”, declarou.
O prefeito relembrou, inclusive, uma reunião realizada durante a campanha, com a participação de secretários municipais, enquanto ele estava fora de Rio Branco.
“Você até me perguntou durante a caminhada, acho que tu foi o único que chegou a me ligar no dia que saiu um card de uma reunião. Eu disse que ia ter a reunião com vários gestores, vários secretários do município, eu só não estaria. Eu tava até viajando, por causa daquela agenda dos ônibus, mas houve a reunião com vários secretários nossos, que eu não criei nenhum empecilho”, explicou.
Alysson também fez elogios à atuação parlamentar de Bittar, especialmente na destinação de recursos federais para o Acre e para a capital.
“Então, eu não tenho problema nenhum com o senador Márcio. Eu, pelo contrário, admiro. Você vê o trabalho que ele faz, é um dos senadores que mais traz recursos pro Estado, pra prefeitura também. Muitas das políticas que a gente desenvolve são através do mandato do senador Márcio, porque tem sido eficiente com esses recursos e liberação, e colocar em boas ações, em boas políticas que impactam diretamente as pessoas”, afirmou.
Além do senador, o prefeito citou a representação do PL na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa como parte da relação que pretende manter com a legenda.
“Então, eu, pelo contrário, lógico que com o PL, com a representatividade do Márcio, mas temos vereadores, né? Tem os três vereadores do PL, tem os deputados do PL que eu sempre me dei muito bem”, disse.
Ao final, Alysson também mencionou o PSDB e outras forças partidárias como integrantes do diálogo político que pretende desenvolver.
Apesar das sinalizações, o prefeito não anunciou nomes, exonerações ou datas para as mudanças.


