Motoristas demitidos pela empresa Ricco Transportes estiveram na sessão desta terça-feira, 10, na Câmara de Rio Branco em busca de apoio dos vereadores após uma série de desligamentos que, segundo eles, ocorreu depois de uma paralisação de advertência realizada pela categoria.
De acordo com o motorista José Felizardo, que trabalhou por cerca de quatro anos no sistema de transporte coletivo da Capital, ao menos 25 trabalhadores já teriam sido demitidos por justa causa nos últimos dias. Ele afirma que participou da mobilização da categoria e acredita que a dispensa tenha ocorrido como forma de retaliação.
“Fizemos uma paralisação de advertência e fomos crucificados com essa demissão em massa. Eu e outro motorista fomos prejudicados porque pegamos justa causa. Saímos como se fôssemos cachorros, nem exame demissional mandaram fazer”, relatou.
Segundo ele, muitos trabalhadores ainda não receberam as verbas rescisórias. “O que a gente apurou é que eles não estão pagando. Tem colegas que já saíram há três meses e ainda não receberam. No meu caso, como foi justa causa, vai ter que ir para a Justiça para tentar reverter”, afirmou.
O motorista também disse que não recebeu justificativa formal da empresa para a demissão. “Oficialmente eu não recebi nada. Só fui informado por terceiros que estava sendo demitido por justa causa”, acrescentou.
Durante o relato, Felizardo também fez críticas às condições de trabalho na empresa desde que ela assumiu o transporte coletivo da Capital, em 2022. Segundo ele, há atrasos salariais, falta de estrutura e jornadas desgastantes.

“A Ricco, desde que chegou aqui, trata a gente como se fosse escravo. Prometeram muita coisa e não cumpriram. Nem farda deram no começo. Quando deram, foi depois de três anos e de baixa qualidade. Muitas vezes a gente não tem tempo nem para se alimentar ou ir ao banheiro”, afirmou.
Diante da situação, os trabalhadores disseram que procuram apoio dos parlamentares para tentar reverter as demissões e cobrar providências. Durante a sessão, o vereador Eber Machado (MDB) criticou a postura da empresa e afirmou que a situação dos trabalhadores já havia sido denunciada anteriormente ao Ministério Público do Trabalho.
“Infelizmente a Ricco não tem responsabilidade nem com a população de Rio Branco e tampouco com seus próprios funcionários. O que vemos hoje é uma espécie de escravidão que os funcionários estão vivendo, com perseguição e opressão”, declarou.
O parlamentar afirmou ainda que, no ano passado, apresentou denúncia ao Ministério Público do Trabalho contra a empresa por supostas irregularidades trabalhistas.
“Foi feito um Termo de Ajustamento de Conduta, mas até hoje não foi cumprido. Continuam sem recolher direitos trabalhistas e agora demitem pais de família simplesmente porque participaram de um ato. Tudo isso acontece hoje dentro de Rio Branco e acaba sendo chancelado pela prefeitura”, concluiu.