Cruzeiro do Sul, Acre, 9 de julho de 2026 12:55

Jéssica Sales assusta aliados e vira fator de tensão na chapa do MDB

Facebook
Twitter
WhatsApp

O MDB montou sua estratégia para 2026 com uma conta que, até poucas semanas atrás, parecia fechada. Agora, essa matemática passou a ser revista nos bastidores.

O motivo tem nome e sobrenome: Jéssica Sales.

A ex-deputada federal, que durante boa parte das negociações foi tratada como um dos principais nomes para compor uma chapa majoritária, voltou ao radar como possível candidata à Câmara dos Deputados. E apenas essa possibilidade já foi suficiente para mudar o ambiente dentro do partido.

Quando o MDB iniciou as conversas com a governadora Mailza Assis, o desenho era outro. A expectativa era indicar o candidato a vice-governador e, paralelamente, fortalecer a chapa proporcional com nomes de peso da base governista. Nesse pacote estavam o ex-presidente da Fundação Elias Mansour, Minoru Kinpara, a deputada federal Antônia Lúcia e o deputado estadual Pedro Longo, que poderiam migrar para a legenda durante a janela partidária.

Naquele cenário, Jéssica era vista quase exclusivamente como um nome para a disputa majoritária. A consequência era uma chapa proporcional considerada competitiva e equilibrada, com espaço para que os principais nomes dividissem o eleitorado.

Mas a política costuma mudar de direção rapidamente.

Ao descartar, pelo menos por enquanto, a possibilidade de ser vice de Mailza, Jéssica recolocou sobre a mesa uma candidatura à Câmara dos Deputados. E essa simples mudança de posição alterou completamente os cálculos internos do MDB.

O raciocínio é pragmático. Jéssica reúne atributos que poucos candidatos conseguem concentrar na mesma disputa: alta lembrança do eleitorado, base consolidada no Vale do Juruá, estrutura política própria e o respaldo da direção estadual do partido, presidida por seu pai, Vagner Sales.

Dentro do MDB, ninguém descarta a possibilidade de ela terminar a eleição como a candidata mais votada da legenda.

Se isso acontecer, uma das vagas que muitos já consideravam praticamente ocupada deixa de existir. Quem antes fazia contas mais confortáveis agora terá de disputar voto por voto para permanecer entre os eleitos.

É justamente por isso que a eventual entrada de Jéssica na chapa proporcional passou a provocar desconforto entre aliados. A avaliação, nos bastidores, é de que o MDB deixou de ter apenas uma chapa forte e passou a ter uma chapa em que todos disputam diretamente entre si.

Não por acaso, voltou a circular entre políticos uma expressão antiga, mas sempre temida em anos eleitorais: a “chapa da morte”, aquela formada por tantos candidatos competitivos que até nomes considerados favoritos passam a enxergar riscos reais.

O detalhe é que a peça principal desse tabuleiro ainda nem decidiu onde vai jogar.

Em entrevista ao ContilNet, Jéssica revelou que aguarda uma definição do senador Alan Rick antes de anunciar seu futuro. Segundo ela, foi o próprio senador quem a procurou, ainda após as eleições municipais de 2024, para discutir uma composição na chapa majoritária. Na conversa mais recente, Alan pediu tempo para concluir as consultas ao grupo político antes de dar uma resposta definitiva.

Até lá, a ex-deputada afirmou que não pretende tomar qualquer decisão, por considerar que existe um compromisso político firmado entre os dois.

Enquanto Alan Rick não bate o martelo sobre sua vice, o MDB vive uma situação curiosa: uma candidatura que sequer foi oficializada já é capaz de reorganizar estratégias, alterar expectativas e aumentar a tensão dentro da própria legenda.