O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) disse hoje que o seu projeto para realizar uma reforma do Judiciário, além de aprovar o fim da reeleição e a redução da maioridade penal, passa por mudanças na Constituição via PEC (Proposta de Emenda à Constituição).

“Tem que haver, sim, uma reforma do Judic iário. Sou a favor da redução da maioridade penal há bastante tempo, isso tem que ser feito por PEC.

Tem pontos da reforma tributária que têm que ser alterados por PEC. E o fim da reeleição”, afirmou, após se reunir com integrantes da federação União-Progressista. O grupo anunciou apoio ao presidenciável no segundo turno.

A explicação de Flávio ocorre um dia após o senador dizer que com a maioria no Senado e na Câmara, se eleito, ele terá “gente para mudar a Constituição e redemocratizar o Brasil”.

Em relação ao fim da reeleição, o senador disse que caberá ao Congresso os critérios. “Se vai ser mandato de quatro, de cinco anos, se vai valer só para presidente, se vai valer para governador. É o processo legislativo que vai ser respeitado e a maioria vai decidir qual é o caminho que tem que ser feito, é a reforma política que tem que ser feita.”

Segundo ele, o Brasil não vive uma democracia plena. “Você acha que o Brasil está numa democracia plena hoje? Reflita. O Brasil está numa democracia plena? Eu vou chegar lá. Agora, a gente tem que respeitar a política, a gente tem várias peças que são possíveis.”

A direita cresceu tanto na Câmara como no Senado nas eleições de 2026. Apenas o PL, partido de Flávio, conquistou 121 cadeiras das 513 de deputados e 19 das 54 em jogo na disputa do Senado.

Os números vão ajudar Flávio, caso seja eleito, a encaminhar projetos para alterar a Constituição —são necessários três quintos dos votos em cada Casa (308 deputados e 49 senadores) para aprovar mudança. “Já vi gente começar a dizer: ‘Agora o Flávio com esse Congresso, com ampla maioria, ele vai fazer o que o pai dele não fez’. Nossa, vamos parar de mentir, vamos aterrissar no mundo real.”

Para o senador, o cenário do Congresso está “configurado para um presidente” como ele. “Não tem como encaixar uma peça diferente dessa, porque se esse atual presidente continuasse, ele simplesmente seria incompatível com este Congresso, e pior ainda, é incompatível os critérios para indicação de ministro Supremo com o atual governo”, afirmou.

Para Flávio, o brasileiro quer mudança, e o resultado das urnas no domingo sobre a votação do primeiro turno mostra isso. O senador teve 47% dos votos válidos e terminou na frente de Lula (45%).