Cruzeiro do Sul, Acre, 22 de maio de 2026 14:51

Conselheiros do TCE e procurador do MPAC saem em defesa de Marina Silva após fala de Nikolas Ferreira em agenda no Acre

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A repercussão das declarações do deputado federal Nikolas Ferreira durante agenda realizada em Rio Branco, na quarta-feira, 20, motivou a divulgação de uma nota pública em defesa da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva , assinada por intelectuais e lideranças acreanas.

O documento foi divulgado nesta quinta-feira, 21, e manifesta solidariedade à acreana diante de ataques considerados pessoais e políticos contra sua trajetória pública e atuação em defesa da Amazônia, da democracia e das futuras gerações.

Na nota, os signatários afirmam que a história humana é marcada por personagens que, antes de serem reconhecidos, foram incompreendidos e alvo de agressões. O texto destaca Marina Silva como uma dessas figuras históricas, ressaltando sua origem humilde, a alfabetização tardia e a superação da pobreza e de doenças até alcançar projeção internacional.

Os autores também relembram a trajetória política da ministra no Acre, onde foi vereadora, deputada estadual e senadora da República por dois mandatos, antes de assumir o Ministério do Meio Ambiente. Segundo o documento, Marina tornou-se referência mundial em temas ligados à preservação ambiental, justiça social e desenvolvimento sustentável.

A nota menciona ainda o reconhecimento internacional da ministra, incluindo citações em veículos como o The New York Times, além da participação ativa nos principais debates globais sobre mudanças climáticas.

Sem citar diretamente o conteúdo das falas de Nikolas Ferreira, os signatários criticam ataques de ódio, desrespeito pessoal e campanhas de desqualificação política, defendendo que divergências ideológicas devem ocorrer dentro dos limites do respeito democrático.

Outro trecho ressalta a “perplexidade” pelo fato de críticas à ministra partirem de pessoas que professam a mesma fé cristã evangélica de Marina Silva, afirmando que, entre irmãos de fé, o respeito deveria prevalecer.

Ao final, o grupo reafirma reconhecimento à contribuição da ministra para o Acre, o Brasil e o cenário internacional. A nota é assinada por Dulcinéa Benício, Naluh Gouveia, Ronald Polanco e Sammy Barbosa.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA

NOTA PÚBLICA 

Manifestamos solidariedade e apoio à trajetória pública da acreana Marina Silva, diante dos recentes ataques pessoais e políticos dirigidos contra sua história e atuação em defesa da Amazônia, da democracia e das futuras gerações.

A história humana – e a história bíblica – é pródiga em exemplos de pessoas que, muito antes de serem reconhecidas pelo mundo, foram agredidas e, por vezes, incompreendidas em sua própria terra. Em geral, o tempo demonstrou que estavam do lado certo da história.

Marina Silva é uma dessas personalidades.

Filha do seringal, alfabetizada tardiamente, sobrevivente da pobreza, da exclusão social e da doença, construiu uma das trajetórias públicas mais extraordinárias da vida brasileira contemporânea. Sem jamais renunciar a suas convicções, tornou-se referência internacional na defesa do meio ambiente, da justiça social e do desenvolvimento sustentável.

Sua caminhada política nasceu no Acre, onde foi eleita vereadora, deputada estadual, senadora da República por duas vezes e, posteriormente, ministra de Estado, alcançando reconhecimento global por meio da atuação ética, firme e comprometida com causas que ultrapassam fronteiras e interessam a toda a humanidade.

Não por acaso, Marina Silva já foi reconhecida por publicações relevantes, como o jornal The New York Times, como uma das personalidades mais influentes de seu tempo. Sua voz ecoa nos principais fóruns internacionais dedicados à preservação ambiental e ao enfrentamento das mudanças climáticas – um dos maiores desafios civilizatórios da atualidade.

Pessoas dessa dimensão histórica podem até não receber, em sua terra natal, todo o carinho e reconhecimento que merecem. O que jamais pode ser naturalizado, contudo, são ataques de ódio, desrespeito pessoal e campanhas de desqualificação promovidas por agentes políticos que transformam a intolerância em instrumento de projeção pública.

O Acre não pode se orgulhar de incentivar a violência verbal contra uma mulher cuja trajetória honra o nosso estado perante o Brasil e o mundo.

A divergência política é legítima e necessária à democracia. Mas a agressividade, o deboche e a disseminação do ódio não contribuem para o debate público, não melhoram a vida das pessoas e não engrandecem a política brasileira.

Causa ainda maior perplexidade que ataques dessa natureza sejam dirigidos contra uma mulher reconhecida por sua integridade moral por alguém que professa a mesma fé cristã evangélica de Marina Silva. Esperase, entre irmãos de fé, ao menos respeito.

O povo acreano conhece a história de Marina Silva. Conhece a origem humilde, a coragem e coerência que tanto a caracterizam. E, sabe distinguir quem construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com causas sociais e humanas, daqueles que apenas produzem ruído, conflito e radicalização para alimentar projetos pessoais de poder.

Neste momento, reafirmamos nosso respeito à sua história e à contribuição para o Acre, o Brasil e o mundo.

Rio Branco, AC, 21 de maio de 2026.

Dulcinéa Benício 

Naluh Gouveia 

Ronald Polanco 

Sammy Barbosa