Coluna Política Pimenta no Reino 11-09-2018

Publicado em 11/09/2018 - 19:58 | Por Redação

Marcus Alexandre terá de mudar todo material de campanha após decisão de Barroso

Ministro do TSE determinou no domingo (9) que coligações parem de veicular propagandas eleitorais que apresentem Lula como candidato

Regresso

Depois de alguns dias de folga, estou de volta ao batente. Agradeço ao meu colega e amigo Kléber Bezerra, mais conhecido por ‘Klebão’, por me ter substituído durante essa brevíssima ausência. Minha gratidão leva em conta, também, a qualidade dos textos aqui publicados pelo interino.

Medalhas

Como muitos leitores devem saber, Kléber Bezerra é um veterano da profissão. Fosse ele um militar, ostentaria inúmeras condecorações. Mas como a guerra diária com a notícia não costuma fazer heróis, continuamos – ele e eu – na humilde condição de soldados rasos. O importante, porém, é ter boa pontaria. E disso não podemos nos queixar.

Colheita maldita

O PT está colhendo tudo aquilo que plantou. E o candidato ao governo do Acre pelo partido, Marcus Alexandre, não para de receber más notícias. E elas são tantas que já se observa um certo desânimo até mesmo em sua assessoria de imprensa, que arrefeceu os ânimos no que diz respeito às publicações de fotos e releases nas redes sociais.

Banho gelado

A pesquisa do instituto Delta, que mostra Marcus Alexandre estacionado, há mais de um mês, na casa dos 27% de intenção de voto – enquanto o seu principal oponente, Gladson Cameli (Progressistas), subiu quase 4 pontos percentuais –, foi apenas outro revés sofrido pelos petistas. Procurado pela reportagem da ContilNet, Marcus Alexandre se recusou a comentar o resultado da sondagem.

Mal acompanhada

Pois bem, se não bastasse a derrota dos companheiros quanto à pretensa candidatura de Lula à Presidência, o ministro Luís Roberto Barroso, relator do pedido de registro de candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou, no último domingo (9), que a coligação do PT pare de veicular propagandas eleitorais com a imagem do ex-presidente na condição de candidato.

É cada uma

Neste ponto de nossa prosa cabe ressalvar o seguinte: a turma da boquinha chegou ao ridículo de pleitear na justiça que Lula participasse dos debates televisivos. Caso isso ocorresse, o Brasil seria o único país do mundo a ter um candidato à chefe de estado a sair pela manhã pra fazer campanha, só retornando ao xilindró à noite, pra dormir. Não é mesmo um acinte?

Dura lex sed lex (A lei é dura, mas é lei)

De volta à decisão do ministro Barroso, fui conferir os termos do seu despacho de domingo. E lá está escrito o seguinte: “em qualquer meio ou peça de propaganda eleitoral dos partidos que integram a coligação, ou de coligação por eles integrada, ou de candidato a eles filiados em todo o país, abstenham-se (o grifo é do ministro) de apresentar qualquer expressão – escrita, oral, pictográfica ou gráfica – referente a candidatura presidencial do ex-candidato Luiz Inácio Lula da Silva, de forma a impedir-se a indução de eleitores em erro quanto à existência dessa candidatura”.

A regra é clara

Segue o texto de Barroso: “em qualquer meio ou peça de propaganda eleitoral dos partidos que integram a coligação, ou de coligação por eles integrada, ou de candidato a eles filiados em todo o país abstenham-se(outro grifo do autor) de apresentar qualquer expressão – escrita, oral, pictográfica ou gráfica – de apoiamento ao ex-candidato Luiz Inácio Lula da Silva, eis que na propaganda eleitoral não se pode apoiar quem não seja candidato”.

Quebrou dentro

Pois é, honorável leitor: o ex-prefeito de Rio Branco e os demais candidatos da FPA que caíram na esparrela de mandar confeccionar material com a imagem de Lula como postulante ao Palácio do Planalto terão de refazer todo seu material de campanha, caso não queiram ser penalizados pela justiça eleitoral.

Jornalismo militante

Ainda sobre a pesquisa da agência Delta, publicada ontem (10) por este portal de notícias, o meu colega Leandro Altheman, do site Juruá em Tempo, tratou de escrever texto na tentativa de desqualificar o instituto.

Fala sério!

Segundo ele, a Delta Agência de Pesquisa teria ‘tradição’ em errar suas projeções eleitorais – sempre em favor da oposição, conforme afirmou no texto. Disse ainda que a empresa teria previsto a vitória de Marcio Bittar sobre Tião Viana, nas eleições para o governo do Acre, em 2014, além de ter prognosticado, em 2016, que a disputa pela prefeitura da Capital entre Marcus Alexandre e Eliane Sinhasique (MDB) seria decidida no segundo turno.

Tá na web

No dia 13 de agosto de 2014, o site ac24horas registrou o seguinte em uma matéria sobre a disputa eleitoral para o governo: “O candidato do PT aparece com 46% nos números do Ibope e na pesquisa do Instituto Delta tem 41%. Os dois institutos dão vitória a Sebastião contra o tucano Marcio Bittar num eventual 2º turno”. Ressalto ainda que a Delta atribuía 20% das intenções de voto a Bittar – portanto, menos da metade do percentual do adversário do PT.

Contraprova

Ora, se a agência Delta admitia que num eventual segundo turno – como de fato houve –, Tião Viana estava propenso a vencer a disputa (como de fato venceu), de onde o escriba tirou a informação de que ela havia prognosticado a vitória de Bittar em primeiro turno?

Embotamento

Quanto à afirmação do jornalista segundo a qual as pesquisas da agência Delta apontavam que a eleição para a prefeitura de Rio Branco seria decidida no segundo turno – quando sabemos que o petista venceu no primeiro –, basta verificarmos, neste portal, que no dia 2 de setembro de 2016 foi publicada matéria de título “Pesquisa ContilNet/Delta mostra Marcus Alexandre com 49,44% e Sinhasique com 29,88%”. Ora, como a margem de erro da sondagem era de 3%, qualquer idiota poderia concluir que Marcus Alexandre tanto podia ter (em números redondos) 46%, quanto 52%. Só Leandro Altheman não entendeu.

Me engana que eu gosto

Pra completar, o colega jornalista afirma crer mais nos levantamentos do Ibope. É um direito seu. Ocorre, porém, que o instituto nunca acertou uma pesquisa no estado. E pra não cansar o leitor com muitos detalhes, registro apenas que na mesma eleição de 2014, na sondagem para o segundo turno, o Ibope dava a Tião Viana vantagem de 10 pontos percentuais sobre Marcio Bittar: 55% a 45%. Apurados os votos, a diferença foi de 2,58% em favor do petista – um erro de mais de 7 pontos percentuais.

Assino embaixo

Retrucado pela ContilNet e pela Delta Agência de Pesquisa, Altheman voltou à carga, Em sua tréplica, reclamou que o texto foi ao ar sem assinatura, a insinuar, talvez, a covardia de quem se encarregou de redigi-lo. Pois estas notas aqui vão subscritas por mim, a fim de que não lhe reste dúvida sobre a identidade do remetente – e nem lhe abunde a soberba de achar que não haja por estas bandas quem ouse contrapor suas ideias.

Rabo de palha

A propósito, sobre esse assunto de textos apócrifos, o site Juruá em Tempo, tão pródigo em louvaminhas ao governador Tião Viana, costuma recorrer ao expediente de publicar suas muitas adulações com o carimbo ‘Da redação’. Vai ver, Altheman ainda mantém algum pudor.

Astúcia

E em relação a sua tentativa de provar que dissera a verdade sobre a Delta, afirmando que quem mentiu foi a ContilNet, basta constatar que dois dos links postados por ele nem sequer contêm os textos, mas tão-somente as chamadas. E como pode alguém desacreditar um instituto de pesquisa com base nos erros que alega ter cometido, enquanto apregoa a credibilidade de outro, que nunca acertou em nenhuma eleição no estado? Assim fica difícil, companheiro!

Toldado pela ideologia

Leandro Altheman, não obstante ser bom jornalista, tem o grave defeito de se deixar dominar pela sua porção de renhido militante de esquerda. A ponto de chamar o governo Temer de ‘ilegítimo’ e de ‘golpistas’ todos aqueles que apoiaram o impeachment de Dilma.

Risível

Pra concluir: nunca vou esquecer o episódio em que Leandro Altheman externava toda sua indignação contra as condições da BR-364 – isso apenas seis meses depois de o DNIT assumir as obras. Via Facebook, ele denunciava a buraqueira na rodovia, chegando ao desplante de cobrar providências ao senador Gladson Cameli. Só mesmo um asno poderia comprar a ideia tão estapafúrdia de que Gladson deveria ser responsabilizado pela BR, sobretudo depois de uma década e meia de desmandos dos governos do PT. Menos, colega, menos.

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