Coluna Politica Pimenta no Reino 09-01-2018

Publicado em 09/01/2018 - 10:29 | Por Redação

Marcus Alexandre nomeou mais de 440 comissionados, ao custo anual de R$ 23,8 milhões

Já o governo estadual esconde o total de beneficiados pela caneta de Tião Viana

Retorno ao trabalho 

O prefeito de Rio, Marcus Alexandre (PT), deverá estar de volta ao trabalho nesta terça-feira, 9, segundo informou à coluna, dias atrás, a assessora-chefe do setor de imprensa da prefeitura, Andréia Forneck Oliveira.

Chorumela

A assessoria aliás, queixou-se da coluna à direção da ContilNet quando fizemos aqui algumas ilações sobre o ‘sumiço’ de Marcus Alexandre. Argumentando que o colunista não se deu ao trabalho de apurar o fato de que o representante do Executivo municipal havia tirado uma semana de férias, como costuma fazer todos os anos, sempre no início do mês de janeiro.

Pertinente

Colunista não é repórter, não obstante lhe caber, por vezes, a responsabilidade de checar as informações que publica. E ainda que minha inclinação profissional seja a de interpretar os fatos políticos – e não apenas reportá-los, como é de praxe na imprensa acreana –, dona Andréia Forneck, admita-se, fez uma reclamação pertinente.

Explicações necessárias

Ocorrem, porém, dois fatores relevantes nesse imbróglio: o primeiro é que aguardo, há mais de quatro meses, os dados sobre o número de comissionados no governo de Tião Viana, bem como o valor da fatura relativa ao cabideiro estatal que o governador empurra para o pobre do contribuinte.

Subversão da lógica

O segundo ponto importante a se ressaltar é que todo funcionário, seja ele do setor público ou da iniciativa privada, precisa comunicar ao chefe a data em que pretende usufruir do direito às férias anuais.

Servidor do povo

Acontece que a democracia estabeleceu a regra segundo a qual vereadores, deputados e senadores, bem como prefeitos, governadores de Estado e o próprio presidente da República não são patrões do povo – sendo antes servidores afortunados da sociedade que os elegeu.

Não é o forte deles

Mas como a esquerda, via de regra, não entende muito de democracia, é compreensível achem que o chefe seja Marcus Alexandre, e não os mais de 383 mil habitantes do município por ele representado. Daí sua equivocada noção de que o petista possa ausentar-se do cargo sem dar satisfação àqueles que lhe pagam o salário e as mordomias.

Nem uma coisa nem outra

A propósito, a lógica, tanto quanto a democracia, é outro assunto sobre o qual a esquerda, a grosso modo, faz questão de não entender. Mas disso falaremos a seguir.

Justiça seja feita

A despeito disso, preciso fazer justiça à assessora-chefe do setor de comunicação da prefeitura: ela respondeu a todas as perguntas que lhe fiz e ainda retornou a ligação para fornecer os dados sobre a quantidade de cargos comissionados existentes no município, bem como as despesas que eles representam para todos nós.

O petismo em números

Segundo informado, a prefeitura dispõe de 444 cargos comissionados e mais de sete mil servidores efetivos. Os apadrinhados políticos do prefeito Marcus Alexandre custam ao erário R$ 1,8 milhão por mês, o que representa uma despesa anual – fora os gastos com diárias e abono de férias – de escandalosos R$ 23,4 milhões.

Salários mais altos

Os 444 nomeados pelo prefeito petista embolsam 8% do total gasto com a folha de pagamento – ainda que representem 6,3% do total de funcionários do município. Isso significa que os apaniguados do prefeito são, claro, melhor remunerados que os servidores do quadro efetivo.

É cada uma…

E o mais grave é que a assessoria de imprensa da prefeitura assegura que os 444 comissionados do poder público municipal são essenciais aos serviços prestados à população.

Outro exemplo, então

Nas gestões de Raimundo Angelim e Marcus Alexandre, o acolhimento político levou à criação de secretarias, fundações e autarquias, num total de 31 órgãos públicos municipais. Curitiba (foto), uma das mais ricas e populosas capitais do país, conta com 32. Sem recorrer à comparação entre PIB, renda per capita e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos dois municípios, basta lembrar que Curitiba tem mais de 1,9 milhão de habitantes, contra menos de 400 mil de Rio Branco.

Informação é poder

Para os mais esclarecidos, nunca foi segredo o uso que os petistas fazem da máquina pública para fortalecer candidaturas e financiar eleições. Vejamos o que ocorreu nos governos Lula e Dilma, em comparação com a gestão de Fernando Henrique Cardoso.

Inchaço

No último mandato de FHC, a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, abrigava 21 ministros e secretários. Eleito e reeleito Lula, que conseguiu empurrar ao povo a sua sucessora, Dilma Rousseff, em 2012 já eram 39 os ministérios do governo companheiro.

Nosso suado dinheirinho

A folha de pagamento com salários havia saltado, em 2012, de R$ 115,9 bilhões (em valores já corrigidos) para R$ 154,5 bilhões até agosto daquele ano.

Tranquilo

De volta a Marcus Alexandre, que responde a quatro processos judiciais por suspeita de mau uso do dinheiro público, a assessoria afirmou que ele está ‘tranquilo’. E ressaltou que das 49 ações na justiça em que foi citado, 45 já foram arquivadas.

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