
Dados do Instituto Trata Brasil, divulgados nesta terça-feira (11), mostram que o Acre avançou no saneamento básico nas últimas décadas, mas ainda enfrenta um grande déficit no acesso à água tratada e, principalmente, à coleta e ao tratamento de esgoto.
De acordo com o levantamento, baseado em dados do SINISA de 2024, cerca de 490,7 mil pessoas no Acre viviam em residências sem acesso à água tratada, o equivalente a 55,7% da população. O índice é muito superior à média nacional, de 18,1%.
A situação é ainda mais preocupante quando se trata de esgotamento sanitário. Segundo o estudo, 783 mil pessoas no Acre não tinham acesso à coleta de esgoto em 2024, o que representa 89% da população dos 22 municípios do estado. No Brasil, a média de pessoas sem acesso à coleta de esgoto era de 44,8%.
Tarauacá apresenta maior déficit de abastecimento
O levantamento aponta diferenças significativas entre as regiões do Acre. Entre as cinco regiões imediatas analisadas, todas apresentaram déficit de acesso à água tratada superior à média nacional. Na região de Tarauacá, o problema é ainda mais expressivo: o déficit de abastecimento de água chegou a 75,1% da população.
Os dados utilizados pelo Instituto Trata Brasil consideram como acesso à água tratada as residências ligadas à rede de distribuição. O conceito é diferente do utilizado pelo Censo Demográfico do IBGE, que também considera outras formas de abastecimento.
Avanços desde 2000
Apesar dos números atuais, o estudo aponta avanços importantes no saneamento acreano desde 2000.

Segundo dados do Censo Demográfico de 2022, 58,7% da população dos 22 municípios do Acre tinha acesso ao abastecimento de água, enquanto 34% contava com coleta de esgoto, incluindo residências com fossa séptica ligada à rede geral.
Desde 2000, aproximadamente 300 mil pessoas passaram a ter acesso ao abastecimento de água tratada, enquanto outras 183 mil passaram a contar com coleta de esgoto.
Outro avanço ocorreu no número de pessoas que vivem em residências sem banheiro. Em 2000, eram aproximadamente 119 mil pessoas nessa situação. Em 2022, o número caiu para 31 mil. Com isso, o percentual da população acreana sem banheiro caiu de 21,6% para 3,8% no período.
Rede de esgoto cresceu, mas ainda é insuficiente
A extensão da rede de abastecimento de água também aumentou. Em 2005, o Acre possuía aproximadamente 1,2 mil quilômetros de rede de distribuição de água. Em 2024, eram 1,5 mil quilômetros.
Já a rede de coleta de esgoto apresentou crescimento mais expressivo: passou de 132 quilômetros, em 2005, para 772 quilômetros em 2024. Apesar da expansão, o estudo aponta que a rede de coleta de esgoto por habitante no Acre permanece abaixo da média nacional.
Em Rio Branco, capital do estado, havia em 2024 cerca de 1,2 metro de rede de abastecimento de água por habitante e 2 metros de rede de coleta de esgoto por habitante.
Apenas 25,1% do esgoto recebe tratamento
Outro dado considerado preocupante pelo estudo é o percentual de esgoto tratado. Em 2024, apenas 25,1% do volume de água consumida no Acre recebia tratamento antes de retornar ao meio ambiente. Com isso, aproximadamente 74,9% retornava à natureza sem tratamento.
O Instituto Trata Brasil estima que as bacias hidrográficas do estado tenham recebido cerca de 20,8 milhões de metros cúbicos de água poluída por ano, provenientes de esgoto residencial não tratado.