Cruzeiro do Sul, Acre, 6 de novembro de 2026 12:34

“As providências quanto à segurança dela estavam sendo tomadas”, diz Mailza após Naluh Gouveia afirmar que Estado é culpado pela morte de médica

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A governadora Mailza Assis reagiu às declarações da conselheira Naluh Gouveia, do Tribunal de Contas do Acre, que afirmou ontem à imprensa que o Estado é responsável pela morte da médica Elyne Nogueira, brutalmente assassinada em Brasileia na última segunda-feira, 2, a mando do ex-namorado, o procurador municipal Francisco Valadares.

Mailza disse, ao ser perguntada sobre a fala da conselheira, que o governo executa políticas de proteção às mulheres, porém a sociedade precisa se unir à causa.

“Inclusive, as providências quanto à segurança dela estavam sendo tomadas. Ela acionou, ela estava sendo protegida no momento que ela foi, que ela acionou a polícia, foi identificado onde estava o agressor, foi identificado também que o agressor saiu do local, mas houve um terceiro, né, que ninguém prevê, é algo que não dá pra gente se antecipar a tudo isso, mas as providências quanto ao cuidado, a segurança, foram providenciadas, a gente lamenta muito, né, é uma situação que às vezes foge ao controle, mas o Estado está atento a isso, nós já temos um plano para um trabalho forte em defesa desse crime, desses crimes que vem, que estão acontecendo de feminicídio ou de todos os demais e o nosso objetivo é feminicídio zero.”

A declaração de Naluh

Em tom de revolta, a conselheira rasgou o verbo, citou privilégios e disse que o governo fracassou.

“Quem matou a Elyne foi o Estado. Ela foi covardemente assassinada por dois homens, mas, na verdade, a morte dela mesmo se deu por justamente as instituições não fazerem o seu papel. O Tribunal de Contas quando não analisa e se volta para a questão de ver as políticas públicas. O Tribunal de Justiça quando não vê os protocolos que a Lei Maria da Penha coloca. O Ministério Público Estadual quando na verdade os protocolos tão bem colocados no artigo 8º da Lei Maria da Penha. Isso a matou. Ela está morta porque há um fracasso do governo, há um fracasso do Estado, porque nós temos instituições privilegiadas. O povo não aguenta mais os privilégios. Instituições privilegiadas. Pessoas privilegiadas. E o que esse mandato da conselheira Dulce manda de mensagem é que a gente tem que sair dos nossos privilégios e ir para o meio da rua, sentir a dor do povo, daquele que não tem o que comer, daquele que não tem casa, daquele que sofre, daquela mulher que pede socorro”, disse Naluh Gouveia.
Em outro ponto da fala dela, a conselheira criticou a postura do Tribunal de Contas do Estado que escolheu para comandar a Escola de Contas o conselheiro Antônio Malheiro. Ela pontuou que continuará leal ao Tribunal, mas que não deve lealdade aos pares e sim ao povo acreano e aos analistas e técnicos da Corte de Contas.
“Agora, a minha lealdade dentro do Tribunal de Contas com todos é com o povo. Contem comigo não só conselheiro Mário [Sérgio], mas todos os conselheiros e conselheiras ao meu trabalho. Chegar aqui seis e pouco e sair depois do horário. Essa é a minha vida. Eu tenho uma dedicação onde eu trabalho. A minha dedicação é a tudo que eu faço e eu vou continuar. Mas, as minhas pautas não serão pautas de conformidades. As minhas pautas não serão somente o que está dentro do processo. Não é o processo que nos deixa forte, não é o papel que nos deixa forte, como fazem questão de dizer esses conselheiros conservadores. O que nos deixa forte é a aproximação de quem necessita do trabalho. É a aproximação de quem precisa das políticas públicas. É a mulher que aciona o Botão do Pânico e ninguém está ali para lhe escutar. São os protocolos que não funcionam. É isso que nos deixa fortes, não é essa babaquice do processo, desse papel escrito muitas vezes que a gente nem escuta as partes. Eu vou continuar do mesmo jeito. A minha lealdade não é com vocês, é com a instituição operacional. É essa a minha lealdade e vai continuar, esteja eu na escola, que eu fui arrancada do que eu mais gosto de fazer, do que eu faço muito bem, mas por uma maioria conservadora, ridícula dentro desse tribunal, que coloca pessoa que não tem nada a ver, mas porque tem maioria, tem presidente conservador e aí a gente tem que se submeter a isso, mas eu não me submeto. Minha história não permite a ser subserviente com ninguém, a não ser a minha lealdade com o povo acreano”.