Cruzeiro do Sul, Acre, 20 de outubro de 2026 17:52

Acre pode receber mais recursos do FPM e do FPE em novembro, com previsão de alta de 34% nos repasses

Facebook
Twitter
WhatsApp

O Acre poderá ser beneficiado pelo aumento previsto nos repasses federais destinados a estados e municípios em novembro. De acordo com o boletim de setembro de 2026 da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), as transferências do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) devem registrar crescimento de 34% em novembro, na comparação com outubro.

A perspectiva é relevante para o Acre, onde o FPE representa uma importante fonte de recursos para o financiamento das despesas do governo estadual, enquanto o FPM tem papel fundamental na sustentação financeira das prefeituras. Esses recursos ajudam a custear serviços públicos, manter estruturas administrativas e cumprir compromissos financeiros, especialmente nos municípios que possuem menor capacidade própria de arrecadação.

Em setembro, os repasses dos dois fundos somaram R$ 34,3 bilhões em todo o país, já descontada a parcela destinada ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). O montante representou um crescimento de 13,4% em relação a agosto, quando as transferências totalizaram R$ 30,3 bilhões.

Para outubro, a Secretaria do Tesouro Nacional estima uma alta de 4,8% em relação a setembro. Em novembro, a projeção é de crescimento de 34% sobre outubro. Já para dezembro, a expectativa é de aumento de 11% em comparação com novembro.

Os percentuais para outubro, novembro e dezembro são estimativas, e não valores já transferidos ou garantidos. As variações comparam cada mês ao imediatamente anterior, sem representar, necessariamente, crescimento na mesma proporção em relação ao mesmo período de 2025.

Para o Acre, a confirmação de uma elevação nas transferências poderá ampliar a margem de planejamento financeiro do governo estadual e das administrações municipais no encerramento do ano. Entretanto, o impacto efetivo dependerá dos valores que forem efetivamente repassados a cada ente federativo.

Segundo especialistas em orçamento público, parte do crescimento nominal dos repasses em 2026 está relacionada à inflação e à elevação dos preços. A pressão sobre os combustíveis, por exemplo, afeta custos de transporte, frete e produtos, com reflexos sobre a cadeia produtiva e a arrecadação tributária.

Outro fator apontado é o desempenho do mercado de trabalho. O aumento da ocupação e da massa de rendimentos pode favorecer a arrecadação do Imposto de Renda, uma das principais fontes de recursos do FPM e do FPE. Como os fundos também recebem parcelas da arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a evolução das receitas desses tributos influencia os valores distribuídos aos governos estaduais e municipais.

A sazonalidade do consumo também pode contribuir para o comportamento da arrecadação no fim do ano. A Black Friday, as compras de Natal e o período de férias tendem a movimentar diferentes setores da economia, com possíveis reflexos sobre a arrecadação tributária e, consequentemente, sobre as transferências constitucionais.

Em dezembro, os municípios recebem ainda um repasse adicional de 1% do FPM no primeiro decêndio do mês. Esse recurso pode reforçar o caixa das prefeituras em um período de despesas elevadas, marcado pelo pagamento do 13º salário dos servidores e pelo cumprimento de outras obrigações administrativas.