Cruzeiro do Sul, Acre, 12 de outubro de 2026 18:01

Alan Rick manipula votos de adversários para sugerir que tem apoio da maioria

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Publicação apresenta 50,24% ao reunir cinco candidaturas, mas não demonstra que eleitores dos concorrentes eliminados apoiem Alan no segundo turno

O candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) publicou em seu perfil no Instagram uma peça que reúne votos recebidos por ele e por quatro adversários para apresentar uma maioria de 50,24% sob a palavra “mudança”. O percentual não representa a votação individual de Alan nem comprova apoio desse eleitorado à sua candidatura no segundo turno.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alan recebeu 141.859 votos, equivalentes a 32,27% dos votos válidos. Mailza (PP) terminou o primeiro turno na liderança, com 218.760 votos e 49,76%, uma vantagem de 76.901 votos sobre o candidato do Republicanos.

Na propaganda, os votos de Mailza aparecem identificados como “continuidade”. Do outro lado, a publicação agrupa todos os votos destinados aos demais candidatos sob o rótulo de “mudança”, sem apresentar a votação de cada um. Na legenda, Alan afirma: “O Acre votou para mudar e vamos fazer a mudança acontecer agora, no Segundo Turno”. Em seguida, pede votos para sua candidatura.

Para alcançar os 220.887 votos destacados na imagem, a conta incorpora de maneira equivocada, além da votação de Alan, os 44.946 votos de Tião Bocalom, os 32.963 de Thor Dantas, os 715 de Eudo Raffael e os 404 de Dr. Luisinho. São 79.028 votos dados a outras quatro candidaturas, que disputaram o primeiro turno com propostas e identidades próprias.

Alan Rick não recebeu apoio de nenhum candidato. Pelo contrário, nos últimos dias, viu sua base derreter e muitos ex-apoiadores aderirem ao projeto governista.

Informação imprecisa

O uso de números em contexto preciso pode induzir a conclusões equivocadas e comprometer a qualidade do debate eleitoral.

Jornalista de formação, Alan Rick tem responsabilidade adicional ao divulgar esses dados, porque conhece a importância do contexto e da distinção entre informação e interpretação.

Ao reunir votos de adversários sob uma mensagem favorável à própria candidatura, sem esclarecer a composição do total, a publicação promove a confusão entre o resultado das urnas e um apoio que não foi demonstrado.

Falsa sensação de apoio

A peça impulsionada pela campanha de Alan Rick associa a apuração eleitoral à identidade de campanha dele e a um novo pedido de voto. No entanto, a imagem não esclarece quanto cada candidatura contribuiu para o total, o que pode induzir o leitor a interpretar como apoio a Alan uma soma que inclui votos dados a seus próprios adversários.

“Continuidade” e “mudança” são classificações políticas utilizadas pela campanha, não categorias da apuração eleitoral. O resultado oficial contabiliza votos por candidato; não estabelece que os eleitores dos concorrentes eliminados formem um bloco com preferência definida para a próxima votação.

Na comparação direta entre os dois candidatos, Alan ficou 76.901 votos atrás de Mailza, uma distância de 17,49 pontos percentuais. Enquanto ela obteve 49,76% dos votos válidos, ele alcançou 32,27%.

Portanto, a maioria apresentada na propaganda só aparece quando a campanha acrescenta à votação de Alan os 79.028 votos de outros quatro concorrentes; individualmente, ele terminou o primeiro turno em segundo lugar, com ampla desvantagem em relação à governadora.