Conquista iniciada em 1932 atravessou gerações até a equiparação das regras eleitorais; hoje, mulheres são maioria do eleitorado e seguem ampliando sua presença na política
Por muito tempo, decidir os rumos do país foi um direito reservado quase exclusivamente aos homens. As mulheres brasileiras precisaram atravessar décadas de mobilização até conquistar o voto e a igualdade nas regras eleitorais. Hoje, elas são maioria do eleitorado e carregam nas urnas um peso político que contrasta com uma história ainda recente de exclusão dos espaços de decisão.
O direito ao voto feminino foi reconhecido nacionalmente em 24 de fevereiro de 1932. Parece distante, mas não é. Muitas brasileiras que nasceram quando suas mães ainda não tinham o mesmo espaço político dos homens estão vivas hoje.
O Código Eleitoral de 1932 abriu as urnas às mulheres e reconheceu também o direito de serem votadas. Dois anos depois, o voto feminino passou a integrar a Constituição de 1934. Ainda assim, as regras não tratavam homens e mulheres exatamente da mesma forma.
A igualdade foi sendo construída aos poucos e foi apenas a Constituição de 1946 que estabeleceu a obrigatoriedade do voto para brasileiros de ambos os sexos, e o Código Eleitoral de 1965 consolidou na legislação a regra que permanece até hoje: homens e mulheres submetidos às mesmas normas eleitorais.
Ou seja: entre a primeira grande conquista e a consolidação das mesmas regras para mulheres e homens, o Brasil atravessou mais de três décadas.
Mulheres abriram caminho para outras mulheres
Antes mesmo de 1932, brasileiras já pressionavam o sistema político por participação. Nomes como Bertha Lutz e Leolinda de Daltro se tornaram símbolos de uma geração que questionou a exclusão feminina das decisões nacionais.
No Rio Grande do Norte, o movimento avançou antes do restante do país. Em 1927, Celina Guimarães Viana conseguiu seu registro como eleitora em Mossoró. No ano seguinte, Alzira Soriano foi eleita prefeita de Lajes, tornando-se pioneira entre as mulheres que chegaram ao comando de um município no Brasil.
Primeiro, o direito de votar. Depois, o direito de disputar. Mais tarde, a ampliação da presença feminina em câmaras municipais, assembleias legislativas, governos estaduais, Congresso Nacional e Presidência da República.
Acre sempre foi pioneiro
O Acre ocupa um lugar especial nessa trajetória. Em 1986, Iolanda Fleming tornou-se a primeira mulher a assumir definitivamente o governo de um estado brasileiro, depois de ter sido eleita vice-governadora na chapa de Nabor Júnior.
Iolanda permaneceu à frente do Executivo acreano até março de 1987, num marco que colocou um dos estados mais jovens do país na vanguarda da participação feminina no poder.
Quatro décadas depois, a história ajuda a lembrar que a presença das mulheres na política não começa apenas no momento do voto: passa também pela possibilidade de ocupar os espaços onde as decisões são tomadas.