Cruzeiro do Sul, Acre, 27 de setembro de 2026 17:57

AÇÃO NO TRE AMEAÇA FUTURO POLÍTICO DE ALAN RICK: CANDIDATO PODE SER CASSADO E FICAR INELEGÍVEL POR OITO ANOS

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Coligação Avança Acre acusa uso de caminhão da coleta de lixo de Sena Madureira na campanha do senador. Veículo pertence a empresa ligada à família do prefeito Gerlen Diniz, aliado de Alan Rick

Uma ação protocolada no Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) pode atingir a candidatura de Alan Rick (Republicanos) antes da votação e, caso ele seja eleito, levar à cassação de seu diploma. A coligação Avança Acre pede ainda que o senador seja declarado inelegível por oito anos.

O caso começou com um vídeo gravado na sexta-feira (25), em Sena Madureira. As imagens apresentadas ao tribunal mostram um caminhão basculante vermelho, carregado e coberto por uma lona, circulando com uma bandeira de Alan Rick hasteada na lateral da carroceria. Segundo a ação, o veículo de placa BHF2A77 estava em serviço na coleta de lixo da cidade.

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) acusa abuso de poder político e conduta vedada a agente público. Para os autores, um veículo empregado em serviço pago pela Prefeitura não poderia ser usado para promover uma candidatura. A coligação pede a retirada imediata da bandeira e, ao fim do processo, a cassação do registro ou do diploma de Alan Rick, com efeito sobre o candidato a vice, Rico Leite.

O caminhão, a empresa e o prefeito
O cadastro do Detran anexado à ação aponta a AKIRI Ltda. como proprietária do caminhão. Segundo o contrato social apresentado ao TRE-AC, Bruno Rosella administra a empresa e divide suas cotas, em partes iguais, com Geandre Diniz Andrade. A petição identifica Geandre como filho do prefeito Gerlen Diniz, embora registre que uma das reportagens usadas como fonte o descreve como irmão. O parentesco específico ainda precisa ser confirmado.

A relação da AKIRI com a Prefeitura está documentada em um termo assinado por Gerlen em 9 de fevereiro deste ano. Nele, o município reconheceu dever R$ 1,2 milhão à empresa por serviços de coleta e transporte de resíduos sólidos prestados “sem cobertura contratual”. A ação pede que a Prefeitura apresente os documentos sobre a execução do serviço, os pagamentos e o vínculo do caminhão com a coleta em setembro.

Bruno Rosella também administra o Auto Posto Rosellão, fornecedor de combustíveis da Prefeitura. A petição cita um contrato emergencial de R$ 11,6 milhões, firmado em 2025 e objeto de apuração pelo Ministério Público do Acre, e outro de R$ 6,9 milhões, vigente de 2026 a 2027. Os números correspondem aos valores dos contratos, e não necessariamente ao que já foi pago. Na ação, eles são apresentados para demonstrar a relação econômica do empresário com a gestão municipal.

Da motociata à bandeira no caminhão
Gerlen Diniz atua publicamente na campanha de Alan Rick em Sena Madureira. Em 22 de setembro, reuniu seu grupo político para organizar a reta final da disputa. No dia seguinte, participou de uma motociata com o senador e subiu ao palanque do comício, onde declarou: “Quem tem compromisso com Sena Madureira é 10”.

Dois dias depois, o caminhão da empresa ligada à família do prefeito foi filmado com a bandeira do candidato. É essa sequência que sustenta a acusação de uso da estrutura municipal na campanha. “A bandeira no caminhão de lixo, portanto, não é gesto isolado de um motorista. É a continuação, com bem a serviço da Prefeitura, da campanha que o próprio Chefe do Executivo municipal coordena publicamente”, afirma a petição.

Os autores também apontam o alcance da propaganda: “A coleta de lixo é o único serviço público que passa, com frequência regular, por todas as ruas da cidade. Em um município de cerca de 40 mil habitantes, o caminhão da coleta funciona como veículo de propaganda com alcance que nenhum candidato adversário pode obter licitamente.”

O que a ação pede ao TER
Em caráter urgente, a ação pede que a bandeira seja retirada do caminhão em até duas horas após a intimação e que a Prefeitura deixe de permitir propaganda eleitoral em veículos e equipamentos usados nos serviços municipais. Solicitam multa de R$ 50 mil por ocorrência em caso de descumprimento.

No julgamento final, pedem a cassação do registro de Alan Rick ou, se ele vencer a eleição e for diplomado, a cassação do diploma, com reflexo sobre Rico Leite. Requerem ainda a inelegibilidade por oito anos de Alan Rick, Gerlen Diniz, Bruno Rosella e Geandre Diniz Andrade, além de multa eleitoral no valor máximo indicado na petição, de R$ 106.410 para cada representado.

A coligação quer que a Justiça requisite os registros da coleta, identifique o motorista do caminhão no dia do vídeo e determine uma vistoria da frota com acompanhamento da Polícia Federal. A petição pede que a diligência não seja acompanhada pela Polícia Civil local, sob a alegação de que o delegado titular de Sena Madureira manifestou apoio público a Alan Rick.

A ação tramita sob o número 0601099-12.2026.6.01.0000. O vídeo, os vínculos empresariais e os documentos da Prefeitura foram apresentados pelos autores; caberá ao TRE-AC avaliar as provas, ouvir os representados e decidir se houve infração eleitoral e quem deve responder por ela.