Candidato também questionou a presença de jornalistas e blogueiros em frente à sua residência

O ex-governador do Acre e candidato ao Senado Gladson Camelí classificou como “perseguição” a operação da Polícia Federal que teve como alvo sua residência na terça-feira (21), a 13 dias do primeiro turno das eleições. Em vídeo publicado nesta quarta-feira (23), nas redes sociais, Gladson questionou o momento da ação, citou uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre operações contra candidatos durante o período eleitoral e afirmou que não pretende interromper a campanha.
“Meus amigos, vocês sabem que eu sempre respeitei a Justiça e as instituições, porque nunca acreditei que elas poderiam ser utilizadas para atender a interesses políticos”, declarou.
Segundo Gladson, a operação ocorreu no contexto de uma investigação que, de acordo com ele, já teve provas anuladas pelo STF. “A 13 dias da eleição, fui alvo de uma operação da Polícia Federal da mesma investigação que já teve as provas anuladas no Supremo, porque foram feitas de forma ilegal contra mim”, afirmou.
O candidato também questionou a presença de jornalistas e blogueiros em frente à sua residência antes da chegada dos agentes da PF. Para ele, a situação levanta dúvidas sobre um possível vazamento de informações.
“Quem vazou essa informação? Quem colocou essas pessoas lá? Quem se beneficia com essa perseguição contra mim?”
Gladson cita decisão do STF
Outro ponto levantado pelo candidato foi a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1017, do Supremo Tribunal Federal. Gladson afirmou que a decisão impediria ações contra candidatos durante o período eleitoral.
“Existe uma decisão do Supremo Tribunal Federal chamada ADPF 1017, que proíbe ações contra candidatos para evitar o uso eleitoral dessas operações. E isso vale para todo o mundo”, declarou.
Em seguida, questionou por que, segundo sua interpretação, a decisão não teria sido observada no caso dele. “Por que só contra mim isso não foi respeitado?”, perguntou.
A ADPF 1017 trata da adoção de medidas cautelares contra candidatos a cargos majoritários durante o período eleitoral. A aplicação da decisão ao caso concreto, porém, depende das circunstâncias e das medidas determinadas no processo.
‘Eu estou a liderar as pesquisas para o Senado’
Gladson também relacionou a operação ao cenário eleitoral e afirmou que sua posição nas pesquisas seria uma das razões para o que classificou como perseguição.
“A verdade é que essa perseguição tem um motivo. Eu estou a liderar as pesquisas para o Senado”, afirmou.
A declaração, contudo, é uma afirmação do próprio candidato. Para tratar a liderança nas pesquisas como dado jornalístico, é necessário identificar a pesquisa a que ele se refere, além de instituto, período de realização, número de entrevistados e registro, quando aplicável.
Na fala, Gladson também contrapôs a disputa eleitoral às ações judiciais e policiais.
“Eu acredito na força do seu voto. Acredito que são vocês na urna e não os meus adversários no tapetão que podem escolher quem tem o direito de representar o nosso estado no Senado”, disse.
‘Não vou baixar a cabeça’
Ao final, o candidato afirmou que pretende manter sua agenda de campanha apesar da operação.
“Uma eleição se perde e se ganha no voto. E eu não vou baixar a cabeça nem aceitar este tipo de perseguição”, declarou.
Gladson acrescentou que continuará percorrendo o estado durante a campanha.
“Vou continuar nas ruas, a conversar com as pessoas e a olhar olho no olho de cada um”, afirmou.
A operação mencionada por Gladson integra o conjunto de ações deflagradas pela Polícia Federal na terça-feira (21) no Acre. As operações Ptolomeu IV e Umbra cumpriram, juntas, 28 mandados de busca e apreensão e resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 1 milhão em espécie, além de três prisões em flagrante por posse ilegal de armas.
A Ptolomeu IV investiga suspeitas relacionadas a contratos públicos, incluindo a construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), enquanto a Umbra apura uma suposta estrutura montada para obter informações sigilosas sobre as próprias operações da Polícia Federal.
As acusações de “perseguição” e de eventual vazamento de informações são feitas por Gladson e devem ser tratadas como alegações do candidato. As investigações seguem em andamento.
VÍDEO: