O STF (Supremo Tribunal Federal) inicia sua quarta semana consecutiva de crise em meio a um cenário de forte desgaste institucional e ausência de perspectivas claras de resolução. A indefinição, segundo relatos de ministros, é a única certeza que paira sobre o tribunal neste momento. O analista de Política da CNN Teo Cury comenta, ao CNN Novo Dia, o clima na Corte.
Semana marcada por adiamentos e cancelamentos
Na semana anterior, o STF registrou uma sequência de episódios que aprofundaram a turbulência interna. Na terça-feira (15), estava previsto o início de um julgamento que poderia discutir a abertura ou não de uma investigação contra Alexandre de Moraes. No entanto, a discussão sequer chegou ao mérito: o julgamento foi interrompido ainda na questão de ordem e acabou adiado.
Na quarta-feira (16), realizou-se uma sessão considerada padrão, sem que o assunto fosse retomado. Já na quinta-feira (17), diante da escalada de tensão fora do plenário, o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, decidiu cancelar a sessão que havia sido programada para o dia.
Troca de farpas e vazamentos agravam o cenário
O clima de instabilidade tem sido alimentado por uma série de episódios que extrapolam os limites do plenário. Vazamentos de informações e de mensagens trocadas entre ministros, além de trocas públicas de críticas — seja por meio de publicações em redes sociais ou pela divulgação de notas de gabinete — têm intensificado o desgaste.
Tudo isso aumenta o desafio de Fachin, que tem tentado costurar uma trégua entre os colegas, iniciativa que, segundo apuração, ainda não obteve adesão significativa.
Tendência de piora e eleições no horizonte
Ministros consultados pela reportagem avaliam que a tendência é de piora. Desde o adiamento do julgamento envolvendo Alexandre de Moraes, esse tem sido o movimento observado na Corte. Agora, o STF se vê também sendo puxado para o debate político-eleitoral, em meio a um contexto que inclui uma eleição no horizonte.
A crise, que já dura quatro semanas, não tem prazo para terminar, e as próximas sessões seguem cercadas de incerteza — não se sabe se serão mantidas, de que forma ocorrerão ou se haverá algum entendimento entre os ministros.