O MDB pode ter um palanque oficial, mas seus principais quadros devem aparecer divididos na campanha de 2026

A possível aliança entre MDB e o senador Alan Rick não deve produzir o efeito de unificar o partido no Acre. A tendência é que, mesmo com uma decisão oficial da direção estadual, uma ala importante da legenda permaneça ao lado da governadora Mailza Assis.
Os sinais já estão postos. Ney Amorim, que migrou para o MDB durante a construção da aliança governista, deve assumir a coordenação política da campanha de Mailza. A escolha dificilmente aconteceria se houvesse disposição para acompanhar um eventual projeto de Alan Rick.
O mesmo raciocínio vale para outros nomes que ingressaram ou fortaleceram vínculos com o MDB a partir desse acordo político. Minoru Kinpara, Pedro Longo, Antônia Lúcia e Luiz Gonzaga fazem parte do grupo que tende a permanecer na base da governadora, independentemente da posição formal adotada pelo partido.
Na prática, a disputa deixa de ser apenas pela sigla. Alan pode até conquistar o apoio institucional do MDB, mas isso não significa levar automaticamente todas as lideranças que hoje compõem a legenda.
O movimento também expõe que a negociação construída para atrair o MDB ao grupo governista foi mais ampla do que uma simples composição eleitoral. Ela envolveu espaço político, fortalecimento das chapas proporcionais e a perspectiva de o partido indicar o candidato a vice na chapa de Mailza.
Por isso, mesmo que a executiva estadual decida seguir outro caminho, dificilmente haverá uma migração em bloco. O MDB pode ter um palanque oficial, mas seus principais quadros devem aparecer divididos na campanha de 2026.
Decidido
Antes, havia a avaliação de que os nomes ligados ao governo e que migraram para o MDB permaneceriam com Mailza, mesmo se o partido oficializar apoio ao senador Alan Rick. Agora, esse grupo pode ser ainda maior.
Um exemplo é o ex-prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre. Filiado ao MDB desde 2023, ele se tornou um dos principais articuladores da legenda e já declarou publicamente apoio à pré-candidatura de Mailza ao governo.
A posição de Marcus chama atenção porque ele não integra o grupo que chegou ao partido após a aproximação com o governo. Ainda assim, tende a permanecer ao lado da governadora.
Além do peso político no Acre, Marcus mantém interlocução direta com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi. Caso a disputa sobre o posicionamento do partido avance para a direção nacional, essa relação pode dar ao ex-prefeito um papel importante nas conversas sobre o futuro da legenda na eleição estadual.
O MDB vale mais que a sigla
Quem acompanha as conversas sabe que a disputa não é apenas pelo símbolo do MDB. O que interessa, de fato, são os prefeitos, vereadores e lideranças espalhadas pelo estado. Um apoio no papel vale pouco se os principais quadros seguirem outro caminho.
Pressa de um lado, cautela do outro
Enquanto aliados de Alan Rick trabalham para anunciar novas adesões, o Palácio Rio Branco aposta no tempo. A avaliação é que, quanto mais a eleição se aproxima, mais difícil fica para lideranças romperem com quem está no governo.